CD DEMO OU CD DO DEMO?

Chegamos ao ponto em que a banda existe, já formou um repertório básico, vem ensaiando regularmente, todos estão animados, tocando e cantando bem, e dispostos a ir em frente - conforme o projeto de cada grupo. Está na hora de "ir à luta": procurar teatros ou bares para tocar, participar de festivais, inscrever-se em circuitos culturais que patrocinam eventos musicais, mostrar o som aos produtores e empresários, enfim - começar a provar, a si mesmos e aos outros, que sua música merece um lugarzinho ao sol. Na prática, isso quer dizer que chegou a hora de gravar um "CD-Demo", na qual a banda demonstra suas qualidades e com a qual pretende provar que o grupo está realmente pronto para encarar uma carreira profissional.

 

Conforme já dito em outras matérias, para que a mágica aconteça, a Banda, Dupla, Time, Trio, Duo ou seja la a formação que tiver precisa de um CD Demo. Em gravações desse tipo os sons são transformados em códigos eletrônicos digitais binários, que, com a tecnologia empregada hoje, se consegue eliminar praticamente todos os chiados, zumbidos e sons extra-musicais, além de dar um brilho especial aos instrumentos e vozes, e o mais importante: mantendo a qualidade da gravação (coisa que nos velhos tempos numa fita K7 éra impossível).

 

Aqui não vem ao caso como funciona tal tecnologia, bastando saber que ainda é esta a "tecnologia de ponta" nessa área. O que conta é que não adianta nem tentar chegar nas gravadoras sem ter nas mãos um CD muito bem feito - não basta mais, neste nosso mundinho de economia capitalista e global, que o conteúdo artístico de uma banda seja bom; para que a indústria cultural (isto é, os produtores de discos, shows, vídeo, cinema, TV, livros, bares e eventos de todos os tipos festas, etc.) se interesse por algum grupo é imprescindível que a "arte" da banda seja demonstrada com um disquinho de boa qualidade técnica. Podemos dizer que esse CD é o cartão de visitas de alguém que está querendo iniciar carreira no mercado de musica profissional de diversões e entretenimento. O CD-demo é um passaporte para a Mídia.

 

Mesmo se os postulantes a músicos profissionais abrirem mão de uma gravadora, coisa por enquanto ainda impensável e resolverem se lançar apenas na mídia virtual, Facebook, My Space, You tube e etc, não será com uma gravaçãozinha doméstica que o som de uma banda se exibirá aos ouvidos de produtores profissionais e contratantes diversos que estão muito mais interessados na possibilidade comercial do que nas boas intenções de músicos que ninguém conhece. Na verdade,. Esse é o primeiro teste de uma banda: chegar com um CD pronto é o mínimo que se espera de gente que afirma ter energia suficiente para encarar uma carreira profissional.

 

A gravação do seu CD-Demo pode ser um período de enorme prazer e alegria, quando a gente vai gravando e escutando e melhorando o som até chegar na mixagem e masterizção, que é a divisão final de tudo que foi registrado em muitos "canais de gravação" para ficar somente com os dois canais L e R (left e right) usados no sistema estereofônico de reprodução. É o momento em que os músicos botam o disquinho para rodar e aquela maravilha de som se espalha pelo ar, entra por nossas orelhas, chega ao nosso cérebro e volta até nossa pele para arrepiar - porque "o nosso som" finalmente virou um disco de verdade, e além de lindo é o "nosso som" !Pode acontecer que, em vez de fazer um CD-Demo, a gente esteja mesmo é fazendo um "CD do Demo". Se não se sabe exatamente o que está acontecendo ali, o Demônio vai deitar e rolar com a nossa banda rsrs, e aquilo que poderia (e deveria) ser um prazer acaba em tragédia - ou não é uma verdadeira tragédia que, depois de tanto tempo e energia gastos para montar a banda, a gente perceba que se meteu no modo errado de fazer a coisa e "entrou numa gelada" ?

 

Muitas bandas acabam junto com seus CDs-Demo , porque seus membros ignoravam os itens básicos de uma gravação assim. Vamos então anotar algumas coisinhas que se precisa saber para não "quebrar a cara" na hora H.É preciso definir criteriosamente as músicas a serem gravadas, deixando de lado o ego dos músicos e decidindo a coisa com base apenas no projeto.Escolher no máximo 4 músicas (os produtores não tem muito tempo para escutar mais do que isso, só se for uma banda muito eclética (de repertório muito variado) e precise, por causa disso, mostrar maior número de temas.Entrar no estúdio com tudo pensado em relação aos arranjos, inclusive os solos e mesmo os improvisos (quando for o caso). Tudo pode ser mudado durante as gravações, mas essas modificações só funcionam se houver uma base pensada em detalhe, ou tudo acaba virando uma tremenda confusão, ou o disco acaba não sendo verdadeiramente o "nosso som", aquele que a gente pensou. Lembrando que as horas estão correndo, e que "hora de estúdio" tem um preço, é melhor evitar ficar compondo coisas na hora de gravar: um estúdio serve para acertar detalhes, não as coisas fundamentais.

 

Cordas novas e acessórios devem ser providenciados com antecedência, bem como sobressalentes para essas coisas. Também é conveniente dispor de um afinador eletrônico, para ganhar tempo e porque, após algumas horas de gravação, o ouvido da gente começa a ficar "viciado", distorcendo coisas que podem atrapalhar.Cuidado com cabos de instrumentos eletrônicos. Há zumbidos que passam desapercebidos na hora de gravar e que só aparecem na hora da mixagem, quando já passou a hora de cuidar disso.

 

Vozes costumam sair melhor quando gravadas à tarde ou à noite. Os vocalistas, no dia de gravação, devem "economizar" a voz, tratando de falar pouco, não tomar bebidas geladas ou alcoólicas, aquecer convenientemente as pregas vocais antes de começar a cantar, enfim: sendo o mais sutil e "difícil" dos instrumentos, a garganta precisa também de cuidados especiais.

 

Outro ponto em que se costuma errar, por desconhecimento ou descuido, é o tipo de estúdio realmente adequado a cada propósito. Quanto à qualidade do estúdio e dos técnicos envolvidos, o único jeito de se garantir é saber quais outros trabalhos foram feitos antes ali; conforme o gênero de música e o tipo de gravação desejado, pode-se fazer a escolha com mais certeza de estar usando o melhor para cada finalidade. Aviso: apesar de serem fundamentais, os equipamentos não fazem milagres; não se deixe impressionar pelo aparato tecnológico disponível, pois há estúdios muito bem equipados que não dispõem de pessoal técnico bastante qualificado para "fazer a mágica" e na medida do possível sempre evite o uso de artifícios para “afinar” a voz como Auto Tune, Melodyne e similares. O melhor mesmo é um bom professor de canto e muito estudo pois você não vai querer vender gato por lebre... ou vai?De modo geral, é melhor trabalhar num estúdio em que os técnicos são também músicos. Outra "dica" que é dada por muitos entendidos: um bom estúdio tem sempre uma boa padaria por perto - talvez porque, naqueles momentos em que a gravação começa a ficar emperrada e o trabalho não está rendendo o melhor jeito é tirar uns 15 minutos para "uma boquinha". Seja isso verdade ou não, o fato é que há basicamente três tipos de estúdio nos moldes da tecnologia atual.Estúdio digital. O registro é feito atravez de em gravadores digitais como ADAT ou similares. Ou então em "workstations" (gravação em hardware) com softwares como Protools, Sonar ou Logic Audio, .

 

Em um estúdio análogo. O registro é feito em gravadores "multitrack" (pistas múltiplas) usando fitas magnéticas de rolo.Estúdio híbrido, obviamente combinando as duas tecnologias anteriores.Pode-se obter bons resultados em qualquer dessas formas, de modo que a opção depende de vários fatores e varia de um caso a outro: tipo de música, tipo de instrumentos, finalidade da gravação, etc. O estúdio híbrido, por oferecer combinações das possibilidades análoga e digital, leva vantagem nos casos em que não há uma estratégia definida da gravação ou em que a música sugere explorar as duas formas disponíveis.

 

Levando em conta as duas coisas principais - qualidade de gravação e tempo de estúdio -, o melhor modo é gravar primeiro o play-back (base instrumental) "ao vivo" (todos juntos) e depois acrescentar os solos instrumentais e as vozes. Claro que isso só vale se a banda estiver bem ensaiada, ou aquilo que se deveria gravar em uma ou duas sessões acaba levando dez, e o orçamento previsto "vai para o brejo". Convém também lembrar que, além das sessões de gravação propriamente ditas, será gasto um certo número de horas de estúdio para a mixagem (tratamento sonoro das pistas usadas) e masterização. Parece simples? Acredite... Não é! Existem estúdios que trabalham apenas com mixagem e masterização e geralmente são eles que conseguem os melhores resultados.Por falar em melhores resultados, estes tambem podem ser obtidos (de acordo com o estilo) quando se grava instrumento por instrumento ou, no caso de bandas maiores, grupos pequenos (seções).

 

Isso, é claro, implica em maior número de horas de estúdio e aumenta consideravelmente o custo, mas possibilita ao engenheiro de som trabalhar com cada pista separadamente, aproveitando ao máximo os recursos disponíveis para "construir" aos poucos o som da música. Seja como for, convém sempre respeitar a opinião do produtor - que é o responsável pela gravação como um todo - quanto ao tipo de estúdio, escolha dos microfones e equipamentos, aspectos da mixagem e tal. De novo lembramos que o melhor equipamento não é necessariamente o mais caro ou sofisticado, mas aquele que melhor se adapta ao tipo de som que está sendo gravado.Não adianta, por exemplo, um guitarrista entrar no estúdio e dizer ao técnico: "eu quero um som igual ao do Steve Vai"; isso não existe!! Ele deve levar seus timbres prontos, previamente pensados e experimentados. Quer o som do Steve Vai? Traga as guitarras que ele usa, os amps, efeitos, e principalmente....A MÃO DO STEVE VAI....RS....para então poder exigir que o registro gravado seja rigorosamente fiel ao som que se ouve no amplificador. Também não adianta encher uma bateria de fita crepe e ficar fazendo mágicas com a equalização dos microfones; é melhor caprichar no caráter acústico do som, afinando bem as peças e tocando com uma boa "pegada".

 

Outra coisa importante: a menos que você tenha verdadeiramente mais experiência do que o produtor ou o engenheiro de som, dê os seus palpites mas deixe para eles as decisões técnicas. Eles saberão que numa banda de Rock as vozes costumam soar melhor gravadas num determinado Microfoe e não em outro, tipo um microfone valvulado Manley com cápsula de ouro (claro que sempre depende do tipo de voz); quando isso acontecer, não dê muita importância àquela reportagem que você leu na EQ magazine sobre microfones - jornalismo é uma coisa, música é outra, e na prática as teorias costumam ser SEMPRE outra coisa. Nem por isso, quer dizer, por respeito aos técnicos, se deixará todas as decisões por conta deles: o artista deve estar sempre atento para confrontar seu modo "artístico" de ver as coisas com o modo "técnico" do engenheiro de som, dessa simbiose resulta geralmente a melhor parceria para se chegar nos melhores resultados possíveis.A presença de um produtor representa economia de tempo e dinheiro nos estúdios, bem como uma garantia extra de sucesso no planejamento e realização da demo. Convém lembrar que, após concluída a fita-demo, a sua banda será conhecida pelas características do som que será ouvido pelos empresários e todos aqueles que recebem esse material. Assim como há estilos de música, há também estilos de sonoridade, e esse é o estilo criado pelos técnicos. Com o disco, você começou a construir uma imagem que, para ser mudada ou desfeita, implica em refazer todo o processo desde o início; é isso que faz de uma simples fita-demo uma questão de vida ou morte - a vida ou a morte da carreira da banda, que é também uma parte da vida dos músicos envolvidos.

 

Conhecimento técnico e musical a gente adquire com o tempo. Mas, para não ficar 10 ou 15 anos esperando a hora certa de gravar um CD-Demo, pode-se usar o bom-senso de planejar as coisas nos detalhes possíveis. É aí que uma boa consultoria com um produtor experiente pode ajudar muito a definir ciosas relacionadas ao estilo e proposta da banda, garantindo que o material produzido possa ser utilizado por um bom tempo sem perder atualidade.

 

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